LAVA JATO – SCHAHIN

PF quer delação da Schahin sobre pagamentos a ‘garçom de Lula’ e Delfim Netto

Delegado negocia com donos do grupo, que confessou ter emprestado R$ 12 milhões ao PT, em 2004, complementação de colaboração para investigação de pagamentos suspeitos a 13 empresas usadas para movimentar propinas da Lava Jato e da Custo Brasil

A Polícia Federal negocia com donos da Schahin uma nova colaboração premiada, nas investigações da Operação Lava Jato, em Curitiba. O objetivo é esclarecer pagamentos identificados do grupo empresarial para investigados como Carlos Roberto Cortegoso, segundo maior fornecedor da campanha de reeleição de Dilma Rousseff, e para o sobrinho do ex-ministro do milagre econômico, Delfim Netto.

Um dos donos do Grupo Schahin confessou ter feito, em 2004, empréstimo de R$ 12 milhões para o PT, em nome do pecuarista José Carlos Bumlai,  amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos destinos do dinheiro, segundo descobriu a Lava Jato, foi o empresário de Santo André (SP) Ronan Maria Pinto – condenado por corrupção no governo do prefeito assassinado Celso Daniel (PT) -, que usou parte do valor para a compra do jornal Diário do Grande ABC.

O caso virou processo criminal, aberto pelo juiz federal Sérgio Moro e tem como réu, ainda, o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares – ambos também pegos no mensalão. Nesta segunda, o publicitário Marcos Valério será interrogado, em Curitiba, pelo juiz da Lava Jato. Ele participou da lavagem desses recursos.

LISTA DE PAGAMENTOS SUSPEITOS

 

Paralelo à ação penal, em fase final, a Lava Jato tem um inquérito que tem a Schahin como alvo e pode ampliar os focos de investigação sobre envolvimento em corrupção na Petrobrás e fora dela. Desde julho, no entanto, o delegado Filipe Hille Pace, da equipe da PF em Curitiba, comunicou a defesa do grupo para uma reunião para tratar de eventual colaboração complementar.

Nela, o delator ou outro executivo do grupo teriam que explicar os pagamentos feitos a um grupo de 13 empresas considerados suspeitos de ocultarem propinas, em inquérito com laudos periciais ainda pendentes.

A PF informa em despacho que foi requisitado perícia financeira e contábil sobre os pagamentos feitos pelo Grupo Schahin e por consórcios que suas empresas integram. Apesar do laudo não ter ficado pronto, o delegado relaciona “algumas transferências realizadas pelo grupo Schahin a empresas já investigadas na Operação Lava Jato, bem como a outras que, ao que parece, podem ter sido utilizadas de maneira ilícita”.

Entre elas a CRLS Consultoria e Eventos, de Cortegoso, a LS Consultoria Empresarial Agro Pecuária e Comercial, de Luiz Appolonia Neto, sobrinho de Delfim que já confessou usar a firma para receber valores para o tio, e outras como a Rock Star Marketing e a Rock Star Produções Comércio e Serviços, do lobista e operador de propinas Adir Assad,  e a Oliveira Romano Sociedade de Advogados, do ex-vereador do PT e delator Alexandre Romano, o Chambinho.

Delação. Salim Schahin fechou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, no âmbito da ação penal em que foi acusado junto com o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, pelo empréstimo fraudulento dos R$ 12 milhões ao PT, pago ao banco de forma ilícita com contrato dirigido da Petrobrás para operação do navio-sonda – usado para exploração de petróleo em alto mar – Vitoria 10000, em 2009, negócio de US$ 1,6 bilhão.

O empresário afirmou no processo que Bumlai levou a reunião com o banco o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que teria dito que o empréstimo estava “abençoado” por Lula. Delúbio também é réu e será ouvido nesta segunda por Moro.

Documento

“O delegado informa a defesa do grupo que, “nada obstante a celebração de acordo de colaboração premiada com Salim Taufic Schahin”,  “há interesse público, sob o ponto de vista da presente investigação criminal conduzida pela Polícia Federal, em que sejam esclarecidos possíveis relacionamentos da Schahin com pessoas físicas e/ou jurídicas que possam ter praticado e/ou auxiliado na prática de, dentre outros, crimes no âmbito da Petrobrás”.

Provas. Em despacho de 8 de julho, o delegado defende o instrumento da colaboração premiada e o direito da polícia fazê-lo. “Esclareço que a colaboração premiada é técnica de investigação, verdadeiro meio de obtenção de provas, não sendo um mero fim em si mesmo e tão pouco o único elemento a ser utilizado para fundamentar propositura de ações penais e eventuais condenações criminais”, registra o delegado Pace.

“Nesse sentido, por prerrogativa que lhe é conferida por lei e pela plenitude das atribuições constitucionais investigativas expressamente conferidas à Polícia Federal, esclareço que serão realizadas tratativas visando a possibilidade de celebração de acordo de colaboração premiada com executivos do grupo Schahin.”

interesse em colabora pf

 

PT. Os pagamentos para Cortegoso são um risco para o PT. Conhecido como o “garçom de Lula”, o empresário de São Bernardo do Campo virou o fornecedor principal dos palanques e materiais de campanha para o partido. Na disputa de reeleição em 2014, recebeu R$ 24 milhões dos petistas – valor abaixo apenas dos R$ 73 milhões pagos ao marqueteiro João Santana.

Cortegoso presta serviços para o PT, principalmente, por sua empresa Focal Comunicação Visual. A CRLS foi aberta em 2009 e passou a movimentar valores acima dos declarados. O empresário é réu em processo aberto em São Paulo, resultado da Operação Custo Brasil, que apurou corrupção e desvios em contratos de empréstimos consignados dos servidores federais, via Ministério do Planejamento. O ex-ministro Paulo Bernardo chegou a ser preso.

PF CORTEGOSO CRLS PT

 

O ex-ministro – e sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) – são acusados de receberem propinas da empresa Consist Software, pelo contrato milionário intermediado pelo ministério. A CRLS, de Cortegoso, foi uma das empresas que teria recebido os valores dessa corrupção, na cota que era dirigida ao PT, segundo acusa o Ministério Público Federal, em São Paulo. A apuração do suposto envolvimento da senadora com o caso corre em Brasília, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fornecedores. Além de doações oficiais usadas para ocultar propina das empreiteiras beneficiadas com contratos na Petrobrás, a Lava Jato descobriu que pagamentos de fornecedores dos partidos e suas campanhas eram feitos como forma de movimentação do dinheiro da corrupção da Lava Jato e da Custo Brasil.

Cortegoso e o marqueteiro do PT, João Santana, foram dois dos supostos beneficiados pelo esquema, sustentam os procuradores da Lava Jato e da Custo Brasil – aberta como desmembramento das investigações do escândalo Petrobrás.

COM A PALAVRA, DEFESA DA SCHAHIN

O criminalista Guilherme San Juan Araújo, que defende os irmãos Salim e Milton Schahin, informou que não poderia comentar o caso.

COM A PALAVRA, CARLOS ROBERTO CORTEGOSO

O criminalista Márcio Decreci, que defende o empresário Carlos Roberto Cortegoso, informou que não poderia comentar a investigação da Operação Lava Jato, em Curitiba. Segundo ele, seu cliente nunca recebeu recursos de origem ilícita.

PF quer delação da Schahin sobre pagamentos a ‘garçom de Lula’ e Delfim Netto

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LAVA JATO

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/o-interrogatorio-de-marcos-valerio-na-lava-jato/

O interrogatório de Marcos Valério na Lava Jato

Marcos Valério foi ouvido pelo juiz Moro como réu em ação penal

Marcos Valério. Foto: Reprodução

publicitário Marcos Valério prestou depoimento nesta segunda-feira, 12, ao juiz federal Sérgio Moro, na Operação Lava Jato. Marcos Valério foi ouvido pelo juiz Moro como réu em ação penal da Lava Jato. Ele confirmou ter declarado à Procuradoria-Geral da República em setembro de 2012 que foi procurado para fazer ‘uma movimentação do dinheiro’ supostamente destinado a Ronan – também alvo da Lava Jato.

VEJA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE MARCOS VALÉRIO

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO AUGUSTO FERNANDES, QUE DEFENDE PAULO OKAMOTTO:

O advogado Fernando Augusto Fernandes, que defende o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, diz que com relação ao depoimento de Marcos Valério, hoje, em que Okamotto é citado “os depoimentos da Lava Jato, iniciados com fatos, descambaram para mentiras e invenções de condenados que querem se beneficiar com as delações premiadas”.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE RONAN MARIA PINTO:

“Trata-se de uma versão isolada, dita por Marcos Valério apenas em 2012 – portanto, oito anos após os supostos fatos. Bem como após o mesmo ter sido condenado a mais de 30 anos de reclusão em outro processo bastante conhecido.

Tal versão, inclusive, já foi peremptoriamente negada pelo próprio Silvio Pereira, que afirmou não ter dito a Marcos Valério que Ronan teria tentado extorquir o Partido dos Trabalhadores ou quem quer que seja.

Fernando José da Costa, advogado de defesa de Ronan Maria Pinto”

O interrogatório de Marcos Valério na Lava Jato

O interrogatório de Marcos Valério na Lava Jato

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COLLOR DE MELO

Caiu a farsa de Fernando Collor. Mais um cara de pau. Confira!

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A ofensiva da Procuradoria-Geral da República sobre a coleção de obras de arte do senador Fernando Collor (PTC-AL) levou à descoberta de uma rotina de compras de luxos do parlamentar. Leiloeiros entregaram aos investigadores notas fiscais que somam mais de R$ 1,5 milhão gastos em antiguidades, porcelanas e joias.

A investigação sobre as raridades de Collor avançou após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, receber uma carta escrita por uma testemunha anônima em outubro de 2015. A testemunha indicou uma galeria, um escritório e um restaurador por meio dos quais o parlamentar teria desembolsado uma fortuna. O Ministério Público Federal enviou, então, ofícios de requisição de informações aos leiloeiros.

Collor é investigado em seis inquéritos na Operação Lava Jato. Além de inquérito envolvendo carros de luxo, o senador foi denunciado em outro processo, acusado de participar de esquema na BR Distribuidora.

Em julho do ano passado, durante uma das etapas da Lava Jato, a Polícia Federal apreendeu na Casa da Dinda, residência do senador, carros de luxo – três exemplares das marcas Porsche e Ferrari, além de um modelo quase exclusivo da Lamborghini. Segundo a PF, os veículos podem ter sido pagos com recursos de propina.

“O leiloeiro Emerson Curi encaminhou notas fiscais de vendas de antiguidades e obras de arte a Fernando Affonso Collor de Mello nos anos de 2010, 2011 e 2013, tendo cada uma dessas operações atingido os valores de R$ 651.840, R$ 198.660, R$ 90.195, R$ 215.500, R$ 242.800 e R$ 135.200. Enviou-se ainda uma nota de venda a Roberto Mitsuuchi em 2014 no valor de R$ 276.832, diz a Procuradoria.

As seis notas entregues por Emerson Curi estão em nome de Fernando Collor de Mello. O documento de número 000031, datado de 5 de setembro de 2013, aponta que o senador gastou R$ 215.500 em 11 peças, entre elas uma sopeira de prata (R$ 21 mil), jogo de copos de cristal veneziano (R$ 17.500) e um faqueiro de prata inglesa com 202 peças (R$ 46 mil).

No recibo 000030, de mesma data, outras 11 peças custaram R$ 242.800. Na lista estão fruteira de bronze e porcelana (R$ 4 mil), jarra para água de prata francesa (R$ 30 mil) e par de poltronas Luís XVI (R$ 135 mil).

Entre os documentos há ainda um recibo de “compra ainda pendente de acerto”. O papel tem duas datas, novembro de 2014 e 10 de novembro de 2015 e faz referência a Roberto Mitsuuchi. “Recebemos de Roberto Mitsuuchi a importância de R$ 276.832, referente a compras realizadas em leilão, conforme relacionado acima”, diz a nota que não tem assinatura.

Ilação

Collor afirmou que a participação em leilões mediante representante, procurador ou broker é prática comum para assegurar o preço justo, e não a inflação dos lances em razão da identidade do comprador. “Todas as obras adquiridas foram pagas com recursos próprios, de origem lícita, com emissão de notas fiscais em seu nome. A ilação de prática de lavagem a partir de denúncia anônima sem qualquer comprovação é conduta absolutamente irresponsável e temerária, não merecendo qualquer credibilidade.”

Roberto Mitsuuchi afirmou que representou Collor em leilões de arte, “sempre dentro da legalidade”. “Os pagamentos das obras adquiridas sempre foram feitos diretamente por ele, inclusive em seu nome foram emitidas as devidas notas fiscais. Jamais me prestaria a ser laranja de qualquer pessoa”, disse.

Carta anônima aponta “laranja” de Collor

Carta escrita por uma testemunha anônima e endereçada em outubro de 2015 ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu caminho para uma investigação sobre o “acervo” mantido pelo senador Fernando Collor (PTC-AL). A testemunha indicou uma galeria, um escritório e um restaurador.

A partir dessas informações, a Procuradoria-Geral da República, com autorização do Supremo Tribunal Federal, deflagrou a Operação Catilinárias – desdobramento da Lava Jato -, em dezembro do ano passado. A carta apócrifa havia sido enviada dois meses antes. Ao STF Janot relatou que, “de posse desses dados, o Ministério Público realizou diligências preliminares para confirmar a veracidade das informações anônimas”.

“Ilmo. Senhor Procurador-Geral da Republica, Dr. Rodrigo Janot. Há cerca de 2 meses estou para escrever a V. Exa depois que foi difundido nos meios de comunicação social sobre a apreensão de bens nomeadamente carros do senador Fernando Collor de Mello”, escreveu a testemunha, em 36 linhas datilografadas.

Para fazer chegar sua correspondência às mãos de Janot, em Brasília, o denunciante identificou-se com nome e endereço fictícios. “O senador não é só colecionador de carros, mas também de obras de arte, sobretudo peças raras e importantes de alto colecionismo, que vai desde pinturas modernistas, a pratas, baixelas, tapetes persas, joias, móveis, porcelanas, a esculturas art-deco de Fernand Preiss a Chiparus, entre outras raridades adquiridas em leilão.”

A testemunha afirmou a Janot, na carta, que Collor adquiria suas obras de arte em leilões, mediante a intermediação de um restaurador de nome Roberto Mitsuuchi e os pagamentos ocorreriam em espécie.

“Como é óbvio o senador não dava a cara nem aparecia, então para as compras tinha um ‘laranja’, de nome Roberto Mitsuuchi, com a profissão de restaurador em São Paulo, que realizava as compras, muitas in loco ao telefone com o senador para dar os lances, os pagamentos sempre em espécie com quantias que variavam entre 200 e 300 mil reais em prestações, bem como a retirada das mesmas e era este que realizava as entregas na casa de Brasília no Lago Norte, conhecida como casa da Dinda”, diz a carta.

Di Cavalcanti

A carta cita a compra de uma obra de Di Cavalcanti. “Eu chamo a atenção do senhor procurador, para antes de atuar, chamar os agentes da PF que fizeram buscas nas casas do senador, e lhes pergunte como estas estavam decoradas, com certeza que lhe vão confirmar com obras de arte e antiguidades diversas. Inclusive junto cópia do catálogo da obra de Di Cavalcanti adquirida por cerca de R$ 2 milhões.

A citação chamou a atenção dos investigadores. Durante outra operação, em julho do ano passado, na Casa da Dinda, a Polícia Federal havia apreendido carros de luxo e obras de arte, entre elas, um quadro de Di. Segundo o procurador, “no mesmolocal foi apreendido um quadro de Di Cavalcanti cuja descrição é compatível com a reprodução anexada à representação apócrifa”.

Caiu a farsa de Fernando Collor. Mais um cara de pau. Confira!

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GOLPISTAS COMPRARAM APOIOS DE MERCENÁRIOS

MBL FOI FINANCIADO POR PMDB, PSDB, DEM E SD, MOSTRAM ÁUDIOS

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247 – Uma reportagem dos jornalistas Pedro Lopes e Vinícius Segalla (leia aqui) revela que o Movimento Brasil Livre, liderado por Kim Kataguiri, recebeu apoio financeiro e material dos quatro principais partidos que se engajaram no impeachment da presidente Dilma Rousseff: PSDB, DEM, Solidariedade e, claro, o PMDB.

A reportagem traz áudios em que se negocia o apoio financeiro a atividades do grupo, como a impressão de folhetos, cartazes, camisetas e a organização de manifestações pelo impeachment.

Um dos personagens citados é Moreira Franco, braço direito de Michel Temer, que teria ajudado a custear 20 mil panfletos para o MBL por meio da Fundação Ulysses Guimarães, com o lema “esse impeachment é meu” – Moreira nega ter feito pagamentos ao MBL.

Num dos áudios, Renan Santos, um dos líderes do MBL, confirma como o movimento se articulou com os partidos políticos.

Questionado sobre o apoio, o MBL não confirmou o custeio dos panfletos, disse apenas que o PMDB fazia parte da comissão pró-impeachment.

A reportagem também traz imagens que comprovam a proximidade entre integrantes do MBL e políticos que hoje simbolizam a corrupção, como Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Confira abaixo:

Em imagem de dezembro de 2015, coordenadores do MBL (entre eles, Fernando Holiday, coordenador nacional, abaixo, à direita) posam para foto ao lado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), então presidente da Câmara dos Deputados.

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/234665/MBL-foi-financiado-por-PMDB-PSDB-DEM-e-SD-mostram-%C3%A1udios.htm

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MORTE DE CELSO DANIEL

“É fácil fazer teoria da conspiração, mas a morte de Celso Daniel não foi política”

Lima estudou Monstro, que comandou sequestro e morte do prefeito e garante que o crime foi comum

Morte do prefeito Celso Daniel já foi investigada pela polícia

Marcos Carneiro Lima, que trabalhou na Divisão Anti-Sequestro entre os anos 90 e 2000, trabalhou também na Corregedoria da Polícia e no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), depois como delegado geral em São Paulo, comandando a Polícia Civil. Ele conhece muito bem um personagem central do assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André, que volta ao noticiário pelas mãos da Lava Jato. Monstro, líder da quadrilha que sequestrou, torturou e matou Daniel, era objeto de estudo de Lima há muito tempo, quando o crime aconteceu. Atualmente dando aulas na Academia de Polícia, o delegado, agora aposentado, diz que se incomoda com as ilações políticas sobre o caso, que coincidem com períodos eleitorais.

Pergunta. Qual é sua ligação com o caso do assassinato de Celso Daniel em 2002?

Resposta. Em 2000 eu era da delegacia Anti-Sequestro em São Paulo (atual Divisão Anti-Sequestro -DAS), onde fiquei sete anos. Vimos uma quadrilha fazendo sequestros de forma diferenciada, porque a vítima ficava pouco tempo no cativeiro, lhe roubavam pouco dinheiro, e muitas vezes o crime nem era denunciado à Polícia Civil. Descobrimos a partir do sequestro da esposa de um diretor do banco Itaú, que foi pega perto da praça Panamericana [Alto da Lapa, zona oeste de São Paulo, bairro nobre da capital paulista]. Ela trabalhava em uma ONG na favela Pantanal, na divisa com Diadema. Descobrimos ali que havia um chefe do crime, o Monstro (Ivan Rodrigues da Silva), o mesmo que liderou a quadrilha que matou Celso Daniel. E começamos a estudar seu modus operandi.

P. Haviam muitos sequestros nessa época?

R. Em 2000 ainda haviam poucos, eras 25 ou 30 ocorrências no Estado de São Paulo. Mas a partir de 2001 estouraram os sequestros. Mais de 200, fora os que não eram notificados. E as vítimas passaram a ser agredidas. Houve uma cartilha escrita no antigo presídio do Carandiru pelos sequestradores do empresário Abílio Diniz (sequestrado em 1989). Eram bandidos ligados ao Movimento Izquierda Revolucionaria (MIR, guerrilha que atuou no Chile na época da ditadura). Essa cartilha previa que a vítima fosse preservada. Algumas quadrilhas usaram bem essa orientação. Mas criminosos violentos agrediam muito e até cortavam pedaço de orelha.

P. Onde a morte de Celso Daniel se encaixa?

R. Saindo de 2001, ano crítico em número de sequestros, chegou janeiro de 2002. A quadrilha do Monstro sai da região deles e vai atrás de uma empresário do Ceasa (centro de abastecimento hortifrúti), perto da praça Panamericana. Ele estava numa Dodge de suspensão alta. Os sequestradores estavam com um Santana. O empresário que eles perseguiam conseguiu fugir. Quando estavam voltando para a região de Diadema, trombam com um Mitsubishi importado, com Celso Daniel de passageiro, e o fazem parar.

P. Por que Sombra não ofereceu resistência se era carro blindado?

R. Eles tinham armamento caríssimo, fuzis, e ainda que fosse um carro blindado, não havia como lidar com esse tipo de arma cara. Para os sequestradores, só interessava a vítima, ou seja, o Daniel, não o Sombra que parecia ser o motorista.

P. Mas por que não levaram o Sombra?

R. Era um padrão, que havíamos detectado desde o sequestro da mulher do diretor do Itaú. O modus operandi era ir atrás de vítimas que andavam em carros importados. Em alguns casos só pegavam o carro, quando descobriam que quem estava dentro era apenas o motorista do endinheirado, ou só levavam a vítima, caso ele estivesse com motorista, e extorquiam 10.000, ou 20.000 reais. Nessa época eu saí da DAS e fui para a Corregedoria e continuava monitorando os sequestros.

P. Por que mataram o Celso Daniel se não era padrão matar a vítima?

R. Eles não sabiam que era o Celso Daniel. Como já eram experientes, e planejavam pegar o empresário do Ceasa, que fugiu naquela noite, tinham já um local para usar de cativeiro, uma chácara na região de Juquitiba, na BR 116 [onde Daniel foi morto]. Tiveram de ficar ali porque naquele momento havia polícia na favela do Pantanal. Quando o Monstro viu a repercussão do sequestro na mídia, mandou liberar o prefeito. “Dá linha no cara”, pediu para seus comparsas, mas foi mal entendido por um integrante, que era o menor de idade, e esse menor matou o Celso. Essa foi a tragédia.

P. E então, como nascem as teses de crime político organizado?

R. Quando acontece o crime, há o impacto de uma coincidência. Daniel foi sequestrado no dia 18 de janeiro, e morto dois dias depois. No dia 17, ou seja, um dia antes do prefeito ser pego, dois presos de uma penitenciária de Guarulhos, entre eles, Dionísio Severo, saíram de helicóptero do presídio numa fuga espetacular. Eles haviam sequestrado o funcionário de um banco. Severo era um ladrão que roubava, mas que começou a fazer sequestros. A primeira vez que o prendi, em 1998, ele me disse que ia fugir. Tinha dinheiro guardado, era um sujeito articulado. Tanto que o prendi no litoral, Praia Grande, onde tinha até um programa de rádio. Mas ele estava articulando uma facção de contraponto ao Primeiro Comando da Capital, e estava jurado de morte. Por isso ele fugiu, com ajuda do filho dele, que deveria tê-lo resgatado uma semana antes, mas bebeu demais e perdeu o horário. Ele não tinha nada a ver com o sequestro. E precipitaram essa relação, o que foi um erro crasso da polícia, trabalhando teorias como se fossem verdadeiras.

P. Mas esse tal Severo teria relação com o sequestro de Celso Daniel?

R. Quando ele foi preso, Severo diz que sabia de muita coisa sobre o caso de Celso Daniel e que só responderia em juízo. Mas diz isso para ganhar tempo. Com medo do PCC. Daí se comete um erro crasso do sistema Judiciário, de deixá-lo detido num lugar onde haviam outros presos. Uma pessoa de cadeira de rodas se levanta e o mata. Era um preso ligado ao PCC.

P. Essa teoria de que o crime foi cometido a mando de alguém nasce em 2002?

R. A quadrilha que sequestrou Celso confessou o crime e sua participação na época, era ano de eleição. O PT pediu ao presidente Fernando Henrique Cardoso para que a Polícia Federal acompanhasse a investigação. E foi assim, distribuíram o caso e tudo foi resolvido. Mas veio a eleição e o “Sapo barbudo” ganhou. E o sequestro de Daniel volta a ser questionado. Com Lula no Governo, vem a teoria de que o Sombra seria o mandante do crime [Sombra chegou a ser preso mas foi liberado por um habeas corpus que chegou até o Supremo]. O Sombra, na verdade, era arrecadador de Celso Daniel. Era o cara que passava na empresa de ônibus para arrecadar dinheiro. Aí está o crime. Quando os irmãos de Celso Daniel se manifestam todo mundo estranha. Eles não se falavam. E aí vieram com a tese de crime feito a mando de alguém. E associaram varias mortes com a de Celso Daniel. Ainda que investigadores tenham falado perante Comissões Parlamentares de Inquérito que se tratava de um crime comum.

P. Mas efetivamente morreram testemunhas deste caso.

R. Aí entra a teoria de seis graus de separação. Eu conheço o governador de São Paulo. O governador conhece o presidente da República. Que por sua vez conhece Barack Obama. Sou próximo de Obama? Entre a criminalidade e bandidos haverá sempre ligações muito próximas.

P. Mas morreram testemunhas…

R. O Dionísio, que falou que sabia de tudo para fugir do PCC e foi morto. Um garçom que viu Celso, Ronan [Pinto] e Klieger [ex-secretário dos Transportes de Santo André] conversando. Voltou para casa, dois suspeitos foram tentar assaltar. O ladrão deu pontapé na garupa. Ele bateu com a cabeça e morreu. Nem desenho do Chaves… A testemunha que viu esse fato foi morto. Era um ex-monitor da Febem jurado de morte por maus tratos. Houve um investigador de polícia do Denarc. Ele tinha um grampo num celular da cadeia, celular este que foi usado uma vez por Dionísio.  Quem matou o investigador? Ele voltava de uma festa. Quando chegou no prédio, havia dois caras que se apresentaram como policiais federais. Mas eram bandidos, queriam dinheiro e arma. Prenderam ele e a namorada no apartamento. Ele se desvencilhou. Foi atrás de dois. Mas ele não sabia que havia um terceiro dando cobertura e foi alvejado. Crime de mando com alguém correndo atrás do algoz?

P. Mas o médico legista [perito criminal Carlos Delmonte Printes, que examinou o corpo de Celso Daniel, que morreu em circunstâncias que foram questionadas]?

R.  Foi suicídio. Estava com depressão porque havia perdido o filho. Fez todo esquema, era um homem muito inteligente. Conhecia o coquetel de remédios.Tive aula com ele na academia de Polícia. Todas as mortes que ocorreram no entorno são muito bem explicadas.

P. Se era um sequestro comum, por que ele foi morto?

R. Uma semana, ou dez dias antes do Celso Daniel, uma travesti foi sequestrada num carro importado perto da região da favela, onde ela fazia ponto ali perto. Avisou que não tinha dinheiro. Gastou com drogas, mas que iria recuperar e levantaria o prazo. Mas ficaram com medo, executaram e jogaram corpo numa estrada, a mesma coisa que Celso Daniel.

P. Você acha que a leitura de um crime político então é por conveniência?

R. Exatamente. Houve uma comissão parlamentar, chamaram os presos que cometeram o crime, e eles falaram a verdade. O que mais querem? O assunto aparece sempre próximo a eleição. Mandaram desarquivar inquérito para Elizabeth Sato [em 2005]. Para provar que foi crime de mando. Fez toda investigação e disse que foi sequestro seguido de morte. Desenterraram Celso Daniel de uma forma covarde. Para colocar a pecha de que é partido de bandidos.

P. Mas isto lembra o episódio do sequestro do empresário Abílio Diniz, em 1989, quando descobriram o cativeiro e os sequestradores apareceram com camisetas novas, com marcas de vinco inclusive, de campanha do PT.

R. É isso mesmo. Para um crime de mando nunca se contrata um grupo de sequestradores. A polícia que acusa sabe que é assim. Se era para matar de cara, por que não mataram? E para o PT? Por que matar o coordenador e futuro ministro da Fazenda?

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/02/politica/1459619861_766410.html

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Outra quadrilha refinada, musical, cheia de “artes”.

Ex-diretor de gestora do Municipal admite participação em esquema

William Nacked firmou acordo de delação premiada com o MPE e se comprometeu a devolver R$ 3 milhões aos cofres públicos

ÃO PAULO – O ex-diretor do Instituto Brasileiro de Gestão da Cultura (IBGC) William Nacked fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP) e admitiu participação no esquema de corrupção no Teatro Municipal que desviou ao menos R$ 15 milhões de verbas públicas.

 Ex-diretor de gestora do Municipal admite participação em esquema
O ex-diretor do Instituto Brasileiro de Gestão da Cultura (IBGC) William Nacked fez delação premiada
O IBGC é a organização social (OS) responsável pela gestão do teatro. O Estado apurou que a delação de Nacked foi homologada pela Justiça e, portanto, já está valendo. Foram mais de 20 horas de depoimento aos promotores do Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec).

Além de confirmar a participação no esquema de corrupção no teatro, Nacked se comprometeu a devolver R$ 3 milhões aos cofres públicos. A defesa dele afirmou, em nota, que o caso corre sob sigilo e que, por isso, “só vai se manifestar nos autos”.

Procurados pelo Estado, os promotores não quiseram se manifestar sobre o acordo de delação premiada firmado com o ex-diretor do IBGC.

Réu confesso no esquema, o ex-diretor-geral da Fundação Theatro Municipal José Luiz Herência foi o primeiro a fazer um acordo de delação premiada com o MPE e se comprometeu a devolver R$ 6 milhões que teriam sido desviados por ele.

O ex-diretor afirmou que Nacked e o diretor artístico do teatro, maestro John Neschling, sabiam e participavam do esquema – Neschling nega, assim como o secretário municipal de Comunicação, Nunzio Bruguglio Filho, também citado na delação de Herência.

CPI. Agendada para esta quarta-feira, 24, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal, a acareação entre parte dos envolvidos no escândalo não ocorreu pela ausência de John Neschling e William Nacked. Apenas José Luiz Herência compareceu à reunião.

Diante da negativa, os vereadores aprovaram petição à Justiça para conduzir Neschling de forma coercitiva, em data ainda a ser definida. A mesma medida foi tomada em relação à mulher do maestro, Patrícia Melo, que ainda não compareceu à CPI mesmo após duas intimações.

No mesmo requerimento, os parlamentares também solicitam apoio da Justiça para conseguir, com a Polícia Federal, a apreensão do passaporte do maestro, a fim de evitar uma possível fuga para o exterior – o músico tem residência na cidade de Lugano, na Suíça.

A defesa de Neschling afirmou que a acareação, se fosse realizada, poderia virar uma “briga de rua”. Em nota, o maestro reiterou que não tem mais o que esclarecer, considerando os fatos exaustivamente expostos nas cinco horas e meia de seu depoimento à CPI, semana passada. “Neschling já deixou claro à CPI não ter mais nada a declarar sobre os fatos, a única consequência de seu comparecimento seria sua submissão a constrangimento, com os inevitáveis prejuízos adicionais à sua imagem pública e à sua dignidade.”

William Nacked usou um compromisso agendado para hoje no Ministério Público Estadual para justificar a falta. O cineasta Toni Venturi, responsável pela produção de uma campanha publicitária no valor de R$ 540 mil, que nunca foi veiculada na mídia, também faltou. Ele havia sido intimado para falar sobre o contrato feito por sua empresa, Olhar Imaginário, com a Fundação Theatro Municipal de São Paulo. Como mostrou reportagem do Estado, os vídeos milionários foram postados no YouTube em julho, um ano após sua conclusão.

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,ex-diretor-de-gestora-do-municipal-admite-participacao-em-esquema,10000071692

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TUCANOS NA CADEIA

PF prende temporariamente presidente do PSDB de Goiás

Diretório Estadual do PSDB diz que doações para campanhas do partido foram declaradas à Justiça - Afreni Gonçalves Leite

BELA MEGALE
DE BRASÍLIA

24/08/2016

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira (24) o presidente do PSDB de Goiás, AFRÊNI GONÇALVES LEITE, pela operação Decantação, que investiga o suposto desvio de R$ 4,5 milhões de dinheiro público por meio de contratos fraudulentos da Saneago, empresa de Saneamento de Goiás.

O PSDB de Goiás aparece como um dos beneficiários do esquema por supostamente receber dinheiro ilícito por meio de doações legais e também via caixa dois. Por isso, o presidente foi preso temporariamente.

As investigações indicam que dirigentes e colaboradores da Saneago promoveram licitações fraudulentas por meio de contratação de uma empresa de consultoria envolvida no esquema. Ainda segundo a polícia, essa consultoria teria direcionado dinheiro a beneficiários de propina, entre eles o PSDB.

De acordo com a PF, recursos oriundos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), de financiamentos do BNDES e da Caixa Econômica Federal foram desviados para pagamento de propinas e dívidas de campanhas políticas do partido.

No total estão sendo cumpridos 120 mandados judiciais, sendo 11 de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 21 de condução coercitiva e 67 de busca e apreensão em Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Formosa (GO), Itumbiara (GO), São Paulo (SP) e Florianópolis (SC).

Além da sede do PSDB em Goiânia, também são alvos de busca a sede Saneago e de empresas envolvidas nas fraudes, além de residências e endereços ligados aos investigados.

A PF também apurou que a consultoria contratada pela Saneago direcionava a contratação de empresas que participavam do conluio e que eram responsáveis, posteriormente, por doações eleitorais.

Foi pedido o afastamento de oito servidores do cargo.

A operação foi feita em parceria com o Ministério Público Federal e do Ministério da Transparência, e evitou, segundo a PF, um prejuízo de quase R$ 7 milhões, de acordo com dados da PF.

Os envolvidos responderão pelos crimes de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa e fraudes em processos licitatórios.

O nome Decantação remete ao processo de tratamento de água, em que ocorre a separação de elementos heterogêneos.

HISTÓRICO

A investigação começou com o levantamento de crimes licitatórios para o fornecimento de estação elevatória de água do sistema de abastecimento de Luziânia, o Corumbá IV. Posteriormente, também foram identificados indícios de fraudes nos contratos para a ampliação do sistema de esgotamento de Goiânia, o Meia Ponte.

Segundo o Ministério da Transparência, no Corumbá IV houve direcionamento de licitação e outras irregularidades que geraram prejuízo efetivo de mais de R$ 1 milhão e prejuízo potencial de R$ 6 milhões. O valor do contrato de repasse do Corumbá IV envolve R$ 17,3 milhões.

No Meia Ponte o prejuízo efetivo seria de R$ 3,4 milhões e o potencial de R$ 1,7 milhão. Esse sistema recebeu aplicação de R$ 67,4 milhões.

OUTRO LADO

Em nota, o governo de Goiás afirmou que “apoia as investigações em curso na Polícia Federal e no Ministério Público Federal” e que está “inteiramente à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos”.

Segundo o governo, os procedimentos licitatórios realizados pelos órgãos, autarquias e empresas da administração estadual são pautados pela legalidade e pela transparência.

A nota também afirma que o governo “acredita na idoneidade dos diretores e superintendentes da Saneago (Saneamento de Goiás S.A.) e tem a plena certeza de que os fatos apresentados serão plenamente esclarecidos”.

A reportagem já procurou o PSDB goiano, mas a sigla ainda não comentou.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/08/1806383-operacao-da-pf-em-goias-mira-psdb.shtml

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