OPERAÇÃO INVERSÃO – DELEGADOS CANALHAS

Ministério Público Federal aponta que delegados da PF receberam até R$ 800 mil para evitar investigações e transformaram a Deleprev em um balcão de negócios e de impunidade. Foram presos os delegados Ulisses Francisco Vieira Mendes, Rodrigo Cláudio de Gouvea Leão e Carlos Bastos Valbão
 

15/JUL/2016

Jornal GGN

Um novo conflito entre delegados da Polícia Federal e procuradores da República foi exposto em despacho, desta quinta-feira (14), pelo Ministério Público Federal. O órgão informou que três delegados presos na Operação Inversão “transformaram a Delegacia de Combate a Crimes Previdenciários (Deleprev) em um balcão de negócios e de impunidade”.

De acordo com a Procuradoria da República, os policiais cobravam até R$ 800 mil, entre 2010 e 2015, para barrar uma Operação da PF contra fraudadores da Previdência. Um alvo da Deleprev teria feito pagamentos irregulares para evitar as investigações.

Foram presos pela Operação deflagrada pela PGR os delegados Ulisses Francisco Vieira Mendes, ex-chefe da Deleprev agora aposentado, Rodrigo Cláudio de Gouvea Leão e Carlos Bastos Valbão. “Pesam contra eles várias provas de sua participação, inclusive obtidas com interceptação ambiental e ações realizadas em seus gabinetes com autorização judicial”, disse o MPF.

Segundo os procuradores, “os investigados transformaram a Deleprev, que deveria atuar na apuração de delitos previdenciários – que tanto sangram os cofres da União – num balcão de negócios e de impunidade”.

Além do MPF, fez parte dessa investigação da “Inversão” o setor de contra-inteligência da Polícia Federal. Esses delegados também cumpriram 10 mandados de prisão preventiva, com relação a seis intermediários do esquema e quatro investigados que supostamente pagaram propina aos policiais.

Segundo a apuração, Marivaldo Bispo dos Reis, o Miro, teria pago entre R$ 500 mil a 800 mil aos delegados que investigavam fraudes em dezenas de agências do INSS em São Paulo. Miro é dono de uma consultoria previdenciária. Além dele, outras quatro pessoas ligadas foram alvo de condução coercitiva.

Delegados da Polícia Federal cobravam até R$ 800 mil para barrar investigações

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