Ligação de Delcídio com Cerveró

A estratégia dos governistas de levantar controvérsias da Petrobras na gestão de Fernando Henrique Cardoso pode ter efeito colateral na CPI marcada para começar na terça-feira se abordar a atuação do ex-diretor Nestor Cerveró no programa de geração térmica da estatal. Dois dos três contratos que levaram a prejuízos bilionários apurados pelo TCU foram assinados pelo senador petista Delcídio Amaral (MS), pré-candidato do PT ao governo do Mato Grosso do Sul.

Apontado pela presidente Dilma Rousseff como o responsável pela aquisição de Pasadena, Cerveró já ocupava cargos importantes na Petrobras na gestão tucana e teve no senador petista o passaporte entre os governos FHC e Lula. Engenheiro que fez carreira no setor elétrico e foi ministro de Minas e Energia de Itamar Franco, Delcídio foi indicado pelo PMDB à diretoria de gás e energia da Petrobras em 1999.

Na estatal, Cerveró era o principal auxiliar de Delcídio, gerente executivo da diretoria, e pessoa a quem o senador diz ter delegado a condução do programa de geração térmica da estatal. Em 2001, quando já pensava em entrar na política, Delcídio integrou o secretariado do então governador do MS, Zeca do PT, e filiou-se ao PT para concorrer ao Senado. Venceu. Em 2003, manteve sua influência na Petrobras. Embora insista em dividir o crédito com o PMDB de Renan Calheiros, Delcídio indicou Cerveró à diretoria internacional, que abrigou outros ex-gerentes da área de Gás e Energia envolvidos na negociação das térmicas. Apesar de esses contratos terem sido assinados em 2001 e 2002, o TCU informou que só em 2005 os pagamentos mensais para cobrir os prejuízos chamaram a atenção do órgão. Eles foram, então, inseridos no plano de auditorias do TCU, que só começou a avaliá-los em 2007.

A auditoria foi submetida ao plenário do TCU em 2010. Agora, o processo está na fase final, a tomada de contas especial. Nela, os ministros decidirão se aplicam multa individual e cobram dos executivos ressarcimento. O processo aguarda parecer do Ministério Público junto ao TCU para ser julgado. Depois, é enviado ao Ministério Público Federal, que pode denunciar os acusados civil e criminalmente à Justiça.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) não concorda com as conclusões da auditoria do TCU. Argumenta que todas as geradoras de energia sofreram prejuízos com a redução da demanda provocada pelo racionamento de energia de 2001, o contrário da expectativa no momento em que as usinas foram planejadas. O senador diz que as justificativas apresentadas pela Petrobras ao tribunal, mantidas em sigilo até o fim do processo, refutam o relatório dos auditores. Delcídio afirma que a “contribuição de contingência” era uma forma de garantir a disponibilidade das usinas para aumentar a segurança do sistema elétrico.

 

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